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10 de agosto de 2009

Ensandecido

Prefiro as palavras gritadas
Ditas no calor da hora
Elas são as mais verdadeiras
Não são medidas, apenas faladas

Prefiro os beijos roubados
Deles não se esquece
Deles não se foge, e nem se espera
Apenas deseja-os

Prefiro os amores complicados
Os doloridos, os inesquecíveis
Os quais não constam nos livros
Afinal, a realidade não é literal;

É ensandecida.

Nathan Lilja

5 de agosto de 2009

Veemência

E todas as noites inesquecíveis
E os dias dos namorados madrugados
E todos os romances contados
E a nossa história mal terminada

E todo o beijo...
Que foi só mais um
E todo o desejo...
Que a ti não causou mal nenhum

As perguntas criadas, e um quadro que pintei
As respostas que procuro, e os rostos em que te vi
As melodias que cantei, e as que contigo dancei
Entrego-te tudo, em um fim seguro

Tu aí, e eu aqui
Cada um com seu rumo
Tu aí...
E eu aqui, sem rumo.

Nathan Lilja

3 de agosto de 2009

Sonhos nos movem

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É preciso sonhar sempre, imaginar nos torna mais forte, nos torna mais capaz. Quando eu imagino algo que não tenho, ou alguém que – ainda – não sou, eu crio. Me transformo em espelho dos meus sonhos. Uso minha mente, e minha imagem a meu favor.

Sonhos são como ventos fortes, são como “amores pernoite”. Alguns te dominam por muito tempo, te carregam, te engavetam. Outros te consomem absurdamente por uma uma hora, um dia. Porém, são sempre sonhos... Sempre meios de fuga, de ilusão, e de sanidade.

Sim, sanidade. Apenas “loucos” não sonham. Os que não têm capacidade de desfrutar um dia de sol, uma manhã de Domingo. Você pode ter tudo na vida, mas quem tem um sonho não fraqueja, quem tem um sonho não cansa.

E alguns sonhos nunca acabam; esse texto eu dedico ao Milhu (o da foto que ilustra o post). Um pequeno grande cara, que nos deixou. 25 não é uma boa idade para se morrer, mas a vida não acaba aqui, e o rock segue aí em cima.


Nathan Lilja

30 de julho de 2009

Nada de fórmulas

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Na escola, nunca fui bom com fórmulas matemáticas ou químicas. Cresci e descobri que na verdade não sou bom com nenhum tipo de fórmula. Não me satisfaz nada que é pronto, nada que é facilmente entendido, nenhum tipo de “pra sempre”... Sempre igual.

A fórmula do amor é uma besteira imensurável, nela certamente não consta tomar banho de chuva, às três da manhã de uma noite fria, e curar a gripe em baixo das cobertas muito bem acompanhado. Da fórmula da saúde, o prazer de exagerar do álcool – nem que seja apenas uma vez na vida – e chorar de rir abraçado aos verdadeiros amigos – ou a um mendigo companheiro, que seja! – não deve nem passar perto.

Fórmulas são atalhos para os medíocres, para os medianos, para quem não vê beleza no simples, e nem sanidade na loucura.

Nathan Lilja

27 de julho de 2009

Irremediável

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O que não tem remédio
O que não se pode curar
Poucas vezes se enxerga
E nunca se modifica

Irremediável é existir
Ter que vencer
Adquirir, poder...
Mesmo quando tudo o que se quer
É desaparecer, correr...

Irremediável é se entregar
Nadar, nadar, e se afogar
É ferir sem sentir
É se ferir por insistir

Irremediável é querer
É amar
É sofrer
Irremediável é viver

Nathan Lilja

24 de julho de 2009

Ângulos e visões

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“O mundo é legal, só anda mal habitado”. Algo parecido com essa ótima frase foi dito, em um depoimento à genial Jornalista e Escritora, Eliane Brum, por um mendigo, habitante da região central de Porto Alegre há muitos anos, conhecido como “Homem Sapo. Palavras simples, descompromissadas de coesão, métrica, ou semântica, porém expressam o ponto de vista de um ser humano que vê o mundo de baixo – do chão em que gasta seus dias, diferente de nós que “enxergamos o mundo de cima”.

Eu, que ironicamente sou um dos que “vêem de cima”, não deveria concordar com o humilde mendigo. Na regra de hoje em dia, ele é inferior a mim. Sem hipocrisia, as regras existem, e provavelmente você as segue. Ainda bem que eu nunca fui bom com regras...

O mundo anda mal habitado, sim, meu amigo Sapão. E não é pouco, é muito. As pessoas estão perdendo o tino para amar, perdendo a grandiosidade dos momentos em que esperamos algo de alguém mesmo quando o “algo” não vem. Engrandece, ensina. Um sorriso, porque não? Um abraço. Um beijo seria pedir demais? Ainda não é um crime?

Temos ainda os problemas crônicos, Sapão. Violência, educação falha, preconceito, e todos os outros que você conhece muito bem. Boa parte deles tem uma só causa, e você também a conhece muito bem. Falta de amor. Sim, eu sempre coloco o “amor no meio”. Afinal, ele é o mais importante car***o! Essa é minha missão; proclamar que amar não é momento, mas sim parte de tudo. Missão dura, porém gloriosa.

O mundo é muito mal habitado, sim, “Sapets”. Nossa casa se tornou um lugar minúsculo – o umbigo de alguns, a televisão, a sala de estar, um grupo social medíocre. Poucos se dão conta que o mundo é muito maior que isso, muita mais fascinante, muito melhor. As pessoas em sua essência continuam genuínas, a rotina que desvirtua.

É só olhar na volta, voltar a amar, é só rever os conceitos, transformar o que virou certo, mas não é, em errado novamente. Apenas tente enxergar através de ti.

Nathan Lilja