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7 de abril de 2010

The Rise and Fall of Beeshop


Há alguns dias, encontrei Lucas Silveira, vocalista da banda porto-alegrense Fresno, em uma boate que se chama Cabaret. Uma amiga perguntou, brincando: “Esse é o carinha do Fresno ou do NX Zero?”. Ele respondeu, irônico: “Sou do ‘N Sync”. Para encerrar, eu disse a ela que conhecia Lucas desde os tempos das “calças bordô”. Ok, guarde essas informações.

Lucas lançou, há poucos dias, o primeiro disco do seu projeto solo, Beeshop, paralelo à Fresno. Diferente de seu trabalho na banda, o projeto exalta o seu talento. Todas as letras são em inglês e as melodias são referências a tudo o que de melhor já foi feito na música. Consigo perceber ares de Fred Mercury em “I Was Born in the 80’s”, ou de Chris Carrabba na impecável “Go On”. Todo o grande disco tem influências claras e, no de Beeshop, não poderia ser diferente. Ouço um pouco de tudo, impecavelmente “misturado”.

Porém, uma música em especial chamou a minha atenção: “Lovers Are In Trouble”. Quando a ouvi pela segunda vez, imaginei imediatamente um sujeito em um cabaré, vestindo um traje, com a gravata ao lado do copo de whisky, gastando seus trocados com uma ruiva de pele quase fantasmagórica que se despe cuidadosamente. (Um cabaré de verdade, não a boate em que encontrei Lucas.) Não se assuste, a cena também virá à sua cabeça depois de ouvir a canção, que também é a melhor composição do disco.

Quando comentei, lá no início, que conhecia Lucas desde o tempo das calças bordô, fiz alusão a 2005, quando a Fresno fazia shows em festas juninas escolares, com ingressos a cinco reais. Ele já era um grande compositor, que, com o passar do tempo, tornou-se um cantor melhor. Agora, depois do lançamento de “The Rise and Fall of Beeshop”, Lucas ficará reconhecido como o grande artista que é. Um artista completo, pois humildade e respeito são raros em carreiras de sucesso. Beeshop passou fácil no teste.

Nathan Lilja

Colaborou: Lidy Araujo

17 de outubro de 2009

Carretilha


Confuso
Como ponteiros trocados
Distante
Como culturas orientais

Amável
Como um olhar infantil
Irônico
Como o sorriso de Monalisa

Cuidadoso
Como quem conhece a dor
Perdido
Como quem se arrepende facilmente

Convidativo
Como abraço de mãe
Fascinante
Como quem ainda quer amar.

Nathan Lilja

29 de setembro de 2009

Vôvô Agenor


Mamãe, quando eu crescer quero ser que nem vôvô Agenor
Com meu dom, socar a dor
E nunca temer o horror

Só quero ser feliz
Com o doutor
Com a vendedora de flor

Decoração medieval
Moinho no quintal
Blues pra espantar o mal

Mamãe, quando eu crescer quero ser exatamente igual
Pedindo carona para um quarto de pecado
Ouvindo rock no carnaval

Amando... Sempre no plural
Amando sempre, mas nunca igual
Amando sempre... Só por precisar.


Nathan Lilja

21 de setembro de 2009

Joana


Todos nós temos dilemas
Joana também tem esses mesmos problemas

Na noite, beija cinco caras diferentes
Quando o dia nasce, não os sente

Joana gosta de viver
Joana gosta de sonhar

Joana quer realizar
E nunca ouvir “não”

Joana chora por quase amores
Tem medo, do que a olhos comuns, são só temores
Ah, mas pra ela são horrores

Joana gosta de projetar
Não vive só para acertar
Joana nunca desiste de tentar...

Logo ela, que só quer amar.

Nathan Lilja

12 de setembro de 2009

Diálogo


Pequena conversa em família:

- Onde está a convicção e o otimismo de quando tu tinhas 15 anos?

- Mãe, com 15 anos não se conhece nada sobre nada.

- E com 90 se conhece?

- Eu só sei que agora, com 18 anos, eu sempre faço escolhas erradas, mas nunca me arrependo. Me consolo por ter errado tentando acertar.

- É meu filho... Talvez tu saibas mais da vida agora do que alguém que já tenha vivido muito mais.


Nathan Lilja

8 de setembro de 2009

Visão

Te esperei
Não te enxerguei
Apenas te vi

Te tive completa
Completamente fora (de mim)
Completamente inclusa (no nada)

Te vi distante
De mim, de nós
De tudo o que planejei

Te vi confusa (por sentir)
Te vi fugindo (de si mesma)
Amedrontada (por querer).

Nathan Lilja