
Há alguns dias, encontrei Lucas Silveira, vocalista da banda porto-alegrense Fresno, em uma boate que se chama Cabaret. Uma amiga perguntou, brincando: “Esse é o carinha do Fresno ou do NX Zero?”. Ele respondeu, irônico: “Sou do ‘N Sync”. Para encerrar, eu disse a ela que conhecia Lucas desde os tempos das “calças bordô”. Ok, guarde essas informações.
Lucas lançou, há poucos dias, o primeiro disco do seu projeto solo, Beeshop, paralelo à Fresno. Diferente de seu trabalho na banda, o projeto exalta o seu talento. Todas as letras são em inglês e as melodias são referências a tudo o que de melhor já foi feito na música. Consigo perceber ares de Fred Mercury em “I Was Born in the 80’s”, ou de Chris Carrabba na impecável “Go On”. Todo o grande disco tem influências claras e, no de Beeshop, não poderia ser diferente. Ouço um pouco de tudo, impecavelmente “misturado”.
Porém, uma música em especial chamou a minha atenção: “Lovers Are In Trouble”. Quando a ouvi pela segunda vez, imaginei imediatamente um sujeito em um cabaré, vestindo um traje, com a gravata ao lado do copo de whisky, gastando seus trocados com uma ruiva de pele quase fantasmagórica que se despe cuidadosamente. (Um cabaré de verdade, não a boate em que encontrei Lucas.) Não se assuste, a cena também virá à sua cabeça depois de ouvir a canção, que também é a melhor composição do disco.
Quando comentei, lá no início, que conhecia Lucas desde o tempo das calças bordô, fiz alusão a 2005, quando a Fresno fazia shows em festas juninas escolares, com ingressos a cinco reais. Ele já era um grande compositor, que, com o passar do tempo, tornou-se um cantor melhor. Agora, depois do lançamento de “The Rise and Fall of Beeshop”, Lucas ficará reconhecido como o grande artista que é. Um artista completo, pois humildade e respeito são raros em carreiras de sucesso. Beeshop passou fácil no teste.
Nathan Lilja
Colaborou: Lidy Araujo
